Temblante para blog







Pesquisar este blog:

Carregando...

IPRIMIR

Print Friendly and PDF

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ANÁLISE DO POEMA "ESTE INFERNO DE AMAR", DE ALMEIDA GARRETT

MOMENTO HISTÓRICO DO ROMANTISMO EM PORTUGAL

        O Romantismo surgiu em Portugal num período de efervescência política – alguns anos após a revolução de 1820 que levou os liberais portugueses ao poder. Participaram dessa revolução vários setores da burguesia portuguesa, nos quais se incluíam magistrados, comerciantes, militares, professores. Todos influenciados pelos ideais da Revolução Francesa, esses setores defendiam a reforma das instituições, a elaboração de uma constituição, a liberdade de comércio, o direito de participação política do cidadão. Lutavam, enfim, pela modernização de Portugal.

        Os Liberais eram favoráveis a uma monarquia constitucional – 1834, eles conseguiram:

→ Confisco dos bens da nobreza;

→ A expulsão de religiosos e

→ A distribuição das terras dos nobres vencidos.

        Apesar disso, a luta entre liberais e conservadores, com a alternância de ambos no poder, perdurou por muitos anos, provocando o exílio de políticos, intelectuais e artistas.

        Esse exílio provocou o contato de artistas portugueses com o Romantismo inglês e francês, isso favoreceu o surgimento de obras inovadoras, como “Camões”, de Almeida Garrett, considerado o marco inicial do Romantismo em Portugal – 1985 (Paris) – quando estava exilado.

        Também temos outro grande escritor – Alexandre Herculano – também sofreu exílio (Inglaterra e França) – onde entrou em contato com o Romantismo e com o romance histórico, do qual foi, mais tarde, a principal expressão na literatura portuguesa.

        Assim, o Romantismo português nasceu identificado com o liberalismo burguês e com o espírito de lutas e revolução que envolveu a sociedade portuguesa no século XIX.

        O movimento contou com um considerável número de poetas, dramaturgos e prosadores, tradicionalmente organizados em duas gerações.


A PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA

        Essa geração caracteriza-se

→ Empenho de seus integrantes em implantar o Romantismo no país;

→ Pelo emprego de alguns procedimentos clássicos ainda não superados;

→ Pelo nacionalismo;

→ Pelas preocupações históricas e políticas;

→ Subjetivismo, medievalismo, idealização da mulher, do amor, da natureza, também se fazem notar, embora não sejam específicas dessa geração romântica.


CRONOLOGIA DO ROMANTISMO EM PORTUGAL

→ início: Em 1825, publicação do poema “Camões” de Almeida Garrett;

→ Término: Em 1865, Questão Coimbrã, que dá início ao Realismo.


PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA PORTUGUESA

Décadas 20 e 30

→ Sobrevivência de características neoclássicas;

→ Nacionalismo;

→ Historicismo, medievalismo


AUTORES

Almeida Garrett;

Alexandre Herculano;

Antônio Feliciano de Castilho


A POESIA

Almeida Garrett

“Camões” e “D. Branca”, 1826, (poemas político – ideológicos) comprometidos com o liberalismo e obras ainda marcadas pela tradição clássica.

“Flores sem fruto”,1845, e “Folhas caídas”, 1853 – maturidade romântica no gênero lírico (suas melhores obras poéticas).

        Nelas Garrett apresenta uma poesia confessional, marcada por sentimentos nitidamente românticos: desejo, remorço, sensualismo, sofrimento, saudade. A linguagem torna-se mais simples e popular, os versos mais melodiosos, os sentimentos mais espontâneos.

 Na vasta obra de Garret destacam-se: na poesia, Folhas caídas; na prosa, Viagens na minha terra e no teatro, Frei Luís de Sousa.

    Análise do poema “Este inferno de amar”, de Almeida Garrett

      
Este inferno de amar



Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há de apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... – foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! Que, doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! Despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

Almeida Garrett


      O poema exprime a confusão dos sentimentos do amante, onde podemos perceber com as figuras de pensamento, antítese, paradoxo, o jogo de oposições e também no próprio título.

     O título “Este inferno de amar” traz uma ideia contrária daquilo que temos por amor, porque temos a convicção que o amor, na maioria das vezes, nos dá a sensação de prazer, encanto, bem-estar, felicidade, o oposto do que o “eu-lírico” afirma, pois para o “eu-lírico”, amar é um inferno.

“Esta chama que alenta e consome,

Que é a vida – e que a vida destrói –“

      Aqui temos um paradoxo, ou seja, ideias contrárias, pois o fogo consome e não alimenta – vida não destrói.


“Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há de apagar?”

      Nesses versos temos a antítese,a qual consiste na aproximação de palavras que se opõem pelo sentido.

“A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... – foi um sonho –“

      Nesse fragmento temos uma característica do Romantismo – Saudosismo, sonho e fulga da realidade, nesse fragmento o “eu-lírico” evoca o tempo em que o amor era apenas um sonho. O sonhar era doce, a felicidade, enquanto a realidade é o sofrimento, o inferno.


“Em seus olhos ardentes os pus”.

     Os olhos da mulher despertaram-no transformando o sonho em realidade.

“Mas nessa hora a viver comecei...”

      A paixão do “eu-lírico” se concretizou, ele começou a viver de forma real a paixão, mas essa paixão ultrapassa o “eu-lírico”, é a paixão do próprio autor, mais uma característica do romantismo, o confecionalismo, a aproximação entre biografia e obra. A paixão de Almeida Garrett pela Viscondessa da luz, Rosa de Montúfar, porém ele vivia essa paixão de forma confusa.

      Em todas as estrofes notamos a presença do pronome do caso reto “eu”, o “eu-lírico” apenas fala de si mesmo, de seus próprios sentimentos, ele não descreve essa mulher na realidade, descreve-a apenas em um sonho.

      O poema possui versos livres e melodiosos, uma linguagem simples e popular. Formado por três estrofes compostos por seis versos cada.
        Vale salientar o aspecto da pontuação, como: exclamações, interrogações, reticências, é como se o “eu-lírico” não se contivesse e explodisse em confidências confusas, como se falasse sozinho, procurando entender seus sentimentos.

      Almeida Garrett é considerado o introdutor do Romantismo em Portuga. Os poemas “Este inferno de amar”, “Não te amo” e “Branca Bela” são considerados obras-primas do autor e faz parte do livro “Folhas Caídas”, que nasceu de uma intensa paixão de Garrett pela Viscondessa da Luz, Maria Rosa de Montúfar.

Fim



Recados de Abraços



























































































































































































































































































































































































































































































Nenhum comentário:

Indique este blog a um amigo.